A convite do presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, estava previsto que o presidente brasileiro Lula da Silva iria discursar na sessão solene do parlamento comemorativa do 25 de abril de 1974, a Revolução dos Cravos, que pôs fim ao regime fascista e colonial.

No entanto, o Parlamento rejeitou o convite do presidente português a Lula. Para superar o impasse a Assembleia da República vai organizar uma sessão solene de boas-vindas ao Presidente brasileiro, anunciou nesta quarta-feira (1) o presidente do parlamento, Augusto Santos Silva, indicando que os pormenores, como a data, ainda vão ser estabelecidos.

O líder do Chega, André Ventura, partido português de direita, anunciou na terça-feira (28) a organização de protestos contra a visita do Presidente do Brasil a Portugal, considerando uma “provocação desnecessária e gratuita”.

O líder do Chega, salientou que “nunca colocou em causa a possibilidade de uma visita de Estado” de Lula a Portugal, apesar de ser “absolutamente contra”, e afirmou que respeita o convite feito ao Presidente brasileiro, “que é um convite do Governo legítimo de Portugal”.

No entanto, Ventura considerou que um discurso de Lula na sessão solene do 25 de abril seria “trazer uma contaminação externa” e “o conflito mesmo para dentro da Assembleia da República” e sublinhou que, caso tal aconteça, o Chega irá responder de forma “firme e frontal”.

Segundo André Ventura, “se for preciso”, o Chega colocará “toda a gente à volta da Assembleia da República nesse dia, a protestar e a mostrar que o tipo de política e de alianças com Lula não prestigiam a democracia, destroem a democracia portuguesa”.

Questionado pelos jornalistas como é que explica que um partido que quer ser Governo possa pôr em causa relações diplomáticas, Ventura respondeu que, se o Chega estivesse no executivo, o convite a Lula da Silva “nunca aconteceria”, porque o “combate à corrupção” seria o “elemento decisivo” para a sua ação “nacional e internacional”.

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