Relatório da ONU sobre uigures é “primeiro passo” para travar a China

© Reuters

Um relatório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos conhecido hoje diz que as restrições e privações infligidas pelo Estado chinês aos uigures podem constituir “crimes contra a humanidade”. Para Teresa Nogueira, especialista da China na Anistia Internacional, este pode ser um primeiro passo para a condenação internacional de Pequim.

Este foi o último relatório do mandato de Michelle Bachelet, alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, figura controversa na questão dos uigures já que em Maio visitou a região de Xinjiang e indicou apenas que a situação dos direitos humanos na China era “complexa”. Com o relatório conhecido hoje e apresentado 11 minutos antes do fim do seu mandato, este órgão da ONU indica pela primeira vez que se cometem crimes contra a humanidade contra a minoria uigur.

A extensão da detenção arbitrária e discriminatória de membros uigures e outros grupos predominantemente muçulmanos, de acordo com as eleis e políticas em vigor, no contexto das restrições e privação geral de direitos fundamentais individuais e coletivos, podem constituir crimes internacionais, especialmente crimes contra a humanidade“, pode ler-se nas conclusões deste relatório.

Este reconhecimento, segundo a Amnistia Internacional, pode ser um primeiro passo no reconhecimento da comunidade internacional dos crimes cometidos contra os uigures.

É um primeiro passo, mas nós sabemos que nem sempre a Comissão dos Direitos Humanos nem sempre tem uma força muito grande porque, evidentemente, estando a China no Conselho de Segurança das Nações Unidas com o poder de veto, muitas vezes as resoluções de coordenação ficam sem efeitos. Mas, de qualquer maneira, é muito importante chamar a atenção da comunidade internacional sobre essas violações e conseguir um consenso ou uma maioria de países para que comecem a condenar a China”, declarou Teresa Nogueira, especialista da China na Anistia Internacional, em declarações à RFI.

Este documento feito através de várias entrevistas, relata também as consequências para os membros destas minorias internados nos campos de trabalho forçado, falando mesmo em tortura física e psicológica que deixam marcas para toda a vida. Mesmo os uigures que conseguem fugir para outros países continuam a ser perseguidos pelo Estado chinês de forma a não relevarem as condições a que são sujeitos.

“A repressão nem é só na China, estende-se aos imigrantes que estão noutros países. Fazem pressão sobre eles para que não falem do se está a passar com ameaças de chantagem na China, portanto é muito importante que se fale nisto e que as pessoas tomem consciência e que haja uma pressão sob os Governos para que chamem a China às suas responsabilidade, porque o que se está a passar no Xinjiang é muito grave“, indicou Teresa Nogueira. *RFI

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