Há mudanças substantivas na proposta de extradição do presidente Petro?

O recente anúncio do presidente colombiano, Gustavo Petro, sobre as mudanças que seu governo implementará para modificar a política de extradição e tráfico de drogas foi analisado pelo coronel aposentado e presidente da Associação Colombiana de Oficiais Aposentados das Forças Armadas (Acore), Jhon Marulanda, para quem o passado não implica uma “mudança substancial”. 

Marulanda se referiu ao anúncio de Petro em que detalhou que a Colômbia deixaria de extraditar para os Estados Unidos traficantes de drogas que negociam com o Estado e não reincidentes. 

“Um narcotraficante que não negocia com o Estado é extraditado. Um narcotraficante que negocia com o Estado e reincide é extraditado, sem qualquer tipo de negociação, para os Estados Unidos. E um narcotraficante que negocia benefícios legais com o Estado colombiano e deixa de ser definitivamente narcotraficante, não é extraditado”, disse Petro.

Para Marulanda, o anúncio não implica uma mudança substancial em relação ao que já havia ocorrido em outros governos.

“Lembre-se que o presidente Uribe fez isso na época justamente com os líderes extremistas de direita que, apesar de terem sido presos e se entregaram, foram perdoados, porque quando se verificou que continuaram com suas redes, foram extraditados para os Estados Unidos. Não vejo na proposta do Petro nada diferente do que aconteceu no passado”, explicou Marulanda.

O presidente da Acore afirmou que um dos temores com a nova política é que os narcotraficantes, se não forem extraditados, continuem cometendo crimes da Colômbia. “Veja o que aconteceu com Pablo Escobar que continuou cometendo crimes apesar de tudo e com muitos outros que cometeram o erro de continuar cometendo crimes apesar de terem se entregado e confessado, e assim por diante. Esse é um medo latente.” 

“Aqueles de nós que estão no mundo da força legítima desconfiam muito do que vai acontecer com isso e acreditamos que o Petro está repetindo um roteiro conhecido e que não deu os resultados esperados, como ele mesmo disse”, disse. explicou Marulanda.

Quanto ao impacto que a nova política pode ter na relação com os Estados Unidos, Marulanda não vê uma provável mudança. 

“A Colômbia é o único país com seis décadas de violência de conflitos internos. É o maior produtor de cocaína do mundo e (ainda) o melhor amigo da América . Esta nova linha de comportamento do Governo Petro, na minha opinião, não altera as relações”, referiu. 

Por outro lado, de Genebra, a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, expressou seu apoio à “mudança de abordagem da política de drogas” do novo governo na Colômbia.

“Na Colômbia este mês, o novo governo prometeu uma mudança em sua abordagem à política de drogas: de uma abordagem punitiva para uma abordagem mais social e de saúde pública. Ao abordar uma das causas mais profundas da violência na Colômbia, essa abordagem pode ser essencial para proteger melhor os direitos dos camponeses, comunidades indígenas e afro-colombianas e pessoas que usam drogas”, disse Bachelet.

A proposta de política de drogas do presidente Petro também inclui a suspensão da fumigação com glifosato , bem como a erradicação forçada de cultivos ilícitos. *NTN24

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