Blinken para combater ofensiva de charme russo na África

Andrew Harnik POOL/AFP

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, viajará no próximo mês para a África do Sul, República Democrática do Congo e Ruanda, anunciou o Departamento de Estado nesta sexta-feira, enquanto Washington intensifica a diplomacia na África para combater uma ofensiva de charme russo.

A embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, também irá em agosto a Gana e Uganda e a chefe de ajuda dos EUA, Samantha Power, completou recentemente uma viagem ao Quênia, aliado de longa data dos EUA, bem como à problemática Somália, onde destacou o aumento da desnutrição agravado pela invasão russa da Ucrânia.

A diplomacia ocorre no momento em que o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, realiza sua própria extensa viagem à África, onde tentou lançar uma espiral de preços globais de alimentos como consequência das sanções ocidentais, uma hipótese rejeitada por Washington.

Blinken enviará uma mensagem de que “os países africanos são atores geoestratégicos e parceiros críticos nas questões mais prementes do nosso dia, desde a promoção de um sistema internacional aberto e estável, até o combate aos efeitos das mudanças climáticas, insegurança alimentar e pandemias globais para moldar nossa tecnologia e futuros econômicos”, disse um comunicado do Departamento de Estado.

A África do Sul, líder no mundo em desenvolvimento, emergiu como um importante campo de batalha diplomático, pois permaneceu cuidadosamente neutra na guerra da Ucrânia, recusando-se a se juntar aos apelos ocidentais para condenar Moscou, que ainda gosta de sua oposição ao apartheid.

Blinken visitará Joanesburgo e a capital Pretória de 7 a 9 de agosto. Ele então seguirá para Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, em uma tentativa de mostrar apoio ao país mais vasto da África Subsaariana, enquanto tenta virar a página de décadas de conflito.

Ele completará sua viagem em Ruanda, que viu um aumento nas tensões com a República Democrática do Congo depois que o país acusou seu vizinho a leste de apoiar os rebeldes do M23, uma acusação que Kigali nega.

O Departamento de Estado disse que Blinken vai pressionar pela libertação de Paul Rusesabagina, que é creditado por salvar centenas de vidas durante o genocídio de 1994 e que inspirou o filme “Hotel Ruanda”.

Residente permanente nos EUA, Rusesabagina é um crítico do presidente ruandês Paul Kagame e foi condenado a 25 anos de prisão por “terrorismo” depois que um avião que ele acreditava estar com destino ao Burundi pousou em Kigali em 2020.

Blinken fará sua segunda viagem à África subsaariana desde que assumiu o cargo no ano passado com a administração do presidente Joe Biden.

No final do ano passado, ele viajou para o Quênia, Nigéria e Senegal enquanto procurava destacar as democracias.

Antes da invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro, os esforços dos EUA na África tinham um forte subtexto na competição com a China, que investiu dinheiro na construção de infraestrutura no continente e se contrasta com os Estados Unidos por não fazer exigências à democracia ou aos direitos humanos. *AFP/France24

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