RDC recebeu restos mortais de Patrice Lumumba

Recepção em Kinshasa dos restos mortais de Patrice Lumumba a 22 de Junho de 2022. © Paulina Zidi/RFI

Chegaram a Kinshasa os restos mortais de Patrice Lumumba, ex primeiro-ministro assassinado em 1961. Apenas um dente foi recuperado e entregue na segunda-feira em Bruxelas à família de um dos heróis das independências africanas. O dente tinha sido recuperado junto da filha de um ex polícia belga, entretanto falecido.

Lumumba tinha sido assassinado por separatistas da província do Katanga a 17 de Janeiro de 1961, no Sul, com o apoio de mercenários belgas.

Ele que tinha sido derrubado em Setembro de 1960 e que tinha entrado na História a 30 de Junho desse ano, no dia da proclamação da independência, com palavras muito críticas em relação à colonização.

Com a chegada dos restos mortais de Patrice Lumumba começa, agora, um périplo de nove dias pelo país através das etapas mais simbólicas da sua vida, com o seu regresso à capital a 30 deste mês.

O antigo Congo belga cumprirá, então, um luto nacional de três dias e um mausoléu deve acolher uma cerimónia de enterro.

O antigo primeiro-ministro congolês assassinado em 1961, cujo cadáver teria sido destruído com ácido com cumplicidades dos belgas, foi um dos grandes heróis do panafricanismo.

Marcolino Moco, ex primeiro-ministro angolano e antigo secretário executivo da CPLP, alerta, porém, para a necessidade de não endeusar a figura de Lumumba.

É um grande acontecimento ! Penso que é um pedaço do esforço que tem de ser feito da reconciliação entre o presente e o passado, da reconciliação entre colonizados e colonizadores. Agora o que é preciso é não endeusar as pessoas ! Não há deuses ! “

Questionado sobre se esse risco existiria com Patrice Lumumba, Kwame Nkrumah ou Amílcar Cabral, por exemplo, que aos olhos de outros poderiam ser vistos como deuses, Marcolino Moco opinou haver “esse problema“.

Lumumba hoje é uma figura mítica. Porque é uma vítima de um assassínio, mas é preciso hoje reconhecermos que, ele também, foi um elemento… não digamos que foi por sua culpa, mas pelas próprias contingências históricas não pode exercer, por exemplo, um papel como o que Nelson Mandela exerceu.”

Marcolino Moco recordou ainda ter “memórias da sua infância, antes da sua adolescência, ouvia falar de Lumumba, aqui em Angola, que ainda vivia sob a égide colonial, como uma figura terrível. E em que as populações tradicionais de Angola que atribuíam capacidades sobrehumanas contra o branco, contra a presença colonial. Mas, mais tarde, comecei a captar dele outras imagens. Outras ideias até como estudioso dos fenómenos africanos. Mas que não nos rematamos a endeusamentos ! “

O antigo primeiro dirigente da CPLP, Comunidade dos países de língua portuguesa, alega que “um dos grandes erros que nós como africanos, líderes, temos cometido é de negligenciar que a colonização trouxe, apesar de tudo, elementos positivos ao continente africano. Isso não é esquecer as atrocidades, como aquelas, em seu tempo, do rei belga. Mas o que interessa é salvaguardar que o futuro não repita os mesmos problemas do passado. É aí que temos de colocar o foco !” *RFI

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