Jovem senegalês ganha prêmio literário mais importante de França

Jovem senegalês ganha prêmio literário mais importante de França

O escritor Mohamed Mbougar Sarr, de 31 anos, foi galardoado esta quarta-feira, 3 de Novembro, com o prêmio Goncourt 2021, a distinção literária mais importante de França.

O jovem senegalês tornou-se o primeiro escritor de África Subsaariana a vencer este concurso com a obra “La plus secrète mémoire des hommes“, que em português significa “A mais secreta memória dos homens“.

O livro conta a história de um jovem escritor senegalês que pretende resgatar a memória de um autor que ficou conhecido como o “Rimbaud Negro” depois da publicação de um livro em Paris, em 1938, que gerou controvérsia.

Na história, o personagem principal vai confrontar-se com o colonialismo africano e o Holocausto e viaja por três países chave: Senegal, França e Argentina. O presidente da Academia Goncourt, Didier Decoin, defendeu que o livro é um verdadeiro “hino à literatura“.

Mohamed Sarr nasceu no Senegal, em 1990, e sempre teve resultados escolares de excelência. Em Paris, dedicou-se ao estudo da literatura africana e deixou o doutoramento em suspenso para dedicar-se inteiramente ao mundo da escrita. Apesar disso, o jovem não é um novato nesta área, uma vez que este é o seu quarto livro.

Mohamed Sarr publicou a sua primeira obra literária “Terra ciente” aos 24 anos, em 2014, livro que lhe valeu 3 prémios literários. A obra abordava a vida quotidiana numa vila dominada por jihadistas.

Seguiu-se a obra “Silence du chœur“, em 2017, que foi condecorada por duas vezes e que se foca em temáticas relacionadas com a vida dos imigrantes na Sicília.

Por seu turno, em 2018, lançou “De purs hommes“, um livro que aborda a homossexualidade no continente africano.

Agora, em 2021, com a conquista deste prestigiado galardão francês, o autor vai tornar-se ainda mais lido no mundo, uma vez que o prémio é conhecido por fazer disparar as vendas dos autores vencedores.

Em entrevista aos jornalistas, Mohamed Sarr mostrou-se muito feliz com este reconhecimento: “Eu sinto muita alegria“.

O escritor defendeu ainda que “não há idade na literatura. Pode chegar-se muito jovem, aos 30, aos 67, aos 70 ou ser-se muito velho“.

Recorde-se que, em 2020, o mesmo prêmio foi atribuído a Hervé Le Tellier, com o romance “A anomalia“, que foi editado em Portugal pela Presença e que obteve no horizonte temporal de 1 ano, mais de 1 milhão de vendas.

Em 2019, Jean-Paul Dubois sagrou-se vencedor com a obra “Tous les hommes n’habitent pas le monde de la même façon“, o que traduzido quer dizer “Nem todos os homens vivem da mesma maneira no mundo”. *RFI

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