COP26 sobre o clima: “O Acordo de Paris falhou porque não é obrigatório”

COP26 sobre o clima: “O Acordo de Paris falhou porque não é obrigatório”

Milhares de especialistas, activistas e pelo menos 120 chefes de Estado e de governo reúnem-se a partir do próximo domingo, em Glasgow, na Escócia, para a 26 ª cimeira da ONU sobre as alterações climáticas, popularmente designada por COP26. O principal objectivo do encontro, que se realiza de 31 de Outubro a 12 de Novembro é traçar metas para travar o aquecimento global.

Anabela Lemos, directora da ONG Justiça Ambiental, de Moçambique, começou por assumir, em entrevista à RFI, a sua preocupação relativamente à participação dos países africanos na cimeira.

“Abordo preocupada e um pouco desiludida porque a participação dos países do sul sempre foi um problema, mas desta vez é muito pior”, começou por defender Anabela Lemos, que justifica esta afirmação, salientando que “o governo inglês prometeu dar vacinas a todos os participantes do sul para poderem ir à COP”, mas isso não veio a acontecer.

A directora da Justiça Ambiental salientou que “não há uma participação forte do sul“, referindo que os resultados que possam advir da COP26 não são legítimos pela “maneira como está a ser encarada a COP e devido ao aumento dos casos de Covid-19 em Inglaterra“.

Moçambique tem vários problemas ligados à erosão costeira e é assolado por inundações cíclicas, que provocam estragos avassaladores e têm sido igualmente a causa de imensas baixas entre a população. Anabela Lemos falou sobre as medidas que podem ser tidas em conta para minorar esses efeitos, num dos países mais vulneráveis às alterações climáticas.

“Moçambique é vulnerável em várias questões e a exploração do gás no norte de Moçambique deveria ser imediatamente parada. Todos os projectos que estão em processo, de carvão e de gás devem ser imediatamente parados e o governo deve dar prioridade a resolver os problemas actuais que temos, de maneira a minimizar todas essas hipóteses”, defendeu.

Anabela Lemos considera que Moçambique está a cometer vários erros: “O que Moçambique precisa é de parar, analisar a sua situação e basear o seu desenvolvimento naquilo que é melhor para o país, tendo em conta as alterações climáticas e não é isso que está a acontecer. Tudo o que possa provocar erosão, aumento das temperaturas, aumento das marés, tudo isso vai piorar e nós não estamos a olhar para as alterações climáticas como o problema grave que é“.

Quanto à exploração de carvão de Moatize, a responsável da ONG salienta que “é uma das coisas que deveria parar em Moçambique“.

Na COP21, em 2015, nasceu o famoso Acordo de Paris, em que os países se comprometeram a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, e, como tal, na COP26 vão ser apresentados os dados relativos às suas contribuições nesse sentido.

Apesar disso, a menos de uma semana do início da COP26, mais de um terço dos países mundiais, entre eles os maiores emissores de gases com efeito de estufa, ainda não anunciaram as suas metas para a redução de gases poluentes. São exemplo disso a China, Índia e Rússia, que juntamente com os Estados Unidos da América são os quatro maiores emissores de gases com efeito de estufa.

Os Estados Unidos da América querem, porém, tornar-se numa referência no combate às alterações climáticas. Joe Biden, presidente americano, recorde-se, decidiu assinar o regresso ao acordo de Paris, no momento em que foi eleito.

Em entrevista à RFI, Anabela Lemos falou ainda sobre as decisões importantes que podem sair da COP26 e deu a sua opinião sobre o encontro.

O Acordo de Paris falhou porque não é obrigatório. Todos os países são voluntários para diminuirem as emissões. Eu acho que todos deveriam participar e ser obrigatório. Moçambique em vez de estar a diminuir as emissões, está a aumentar. Nós estamos a voltar para trás. Tem de haver uma lei que obrigue os países a terminarem com a exploração fóssil “, rematou. *RFI

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