Austrália pretende chegar à neutralidade carbono até 2050

O primeiro-ministro da Austrália Scott Morrison anunciou hoje que o seu país pretende chegar à neutralidade carbono até 2050, sem todavia limitar a exploração dos seus recursos minerais, a Austrália sendo o maior exportador mundial de carvão.

Depois de semanas de negociações tensas no seio do seu governo de coligação com forte representação de climato-cépticos e defensores dos interesses dos exploradores de carvão, o primeiro-ministro australiano Scott Morrison anunciou hoje que o seu país pretende chegar à neutralidade carbono até 2050 sem dar pormenores sobre os meios para atingir esta meta.

Ao referir apenas que “isto não vai pôr fim à produção de carvão ou gás, nem às exportações” numa altura em que se avizinham as eleições federais no ano que vem, Morrison indicou que vão ser desbloqueados 15 mil milhões de Dólares designadamente para subsidiar a utilização do hidrogénio -apesar de cientistas estarem divididos quanto à eventualidade de esta ser uma energia mais limpa- ou ainda comprar “crédito carbono”, ou seja pagar para continuar a poluir.

O chefe do executivo de Camberra reiterou, por outro lado, que não altera os seus objectivos de redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030, objectivos considerados pouco ambiciosos pelos seus parceiros internacionais tendo em conta que a Austrália é vista como sendo um dos grandes poluidores a nível mundial devido à exploração de gás e de carvão, matéria-prima de que é o primeiro exportador mundial.

A poucos dias do início da COP-26 a partir do próximo fim-de-semana em Glasgow na Escócia, e apesar de uma forte pressão internacional, Morrison mantém o objectivo de reduzir as emissões de dióxido de carbono numa fasquia de 26 a 28% comparativamente aos níveis de 2005, o chefe do governo australiano mostrando-se inclusivamente seguro de que poderá chegar até 2030 a uma redução de 30 a 35%.

Este anúncio surge precisamente no dia em que os habitantes das ilhas do estreito de Torres no norte da Austrália, um conjunto de 274 ilhas onde vivem cerca de 5 mil pessoas, acabam de apresentar uma queixa colectiva contra Camberra, que responsabilizam pela subida do nível do mar e aquecimento climático que, a seu ver, representam um risco para o seu território e a sua cultura.

Os australianos, crescentemente confrontados nestes últimos anos com fenómenos climáticos extremos como incêndios e inundações, estão a tornar-se cada vez mais sensíveis às questões relativas à protecção do meio ambiente. De acordo com uma sondagem publicada no início do ano, 78% dos inquiridos mostram-se favoráveis ao objectivo da neutralidade carbono até 2050 e 63% tendem a concordar com uma eventual proibição da exploração de novas minas de carvão na Austrália. *RFI

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