Crise em Cuba divide a comunidade internacional

Milhares de cubanos, fartos da crise econômica, agravada pela escassez de alimentos e remédios, além do governo cortar a eletricidade várias horas por dia, saíram às ruas espontaneamente no domingo em dezenas de cidades do país.

Os cubanos gritavam: “Estamos com fome”, “Liberdade” e “Abaixo a ditadura”.

Essas mobilizações sem precedentes em Cuba repercutiram na comunidade internacional, onde os líderes instam o regime de Miguel Díaz-Canel a interromper a repressão enquanto outros governos pedem o fim do bloqueio. 

– Espanha –

O governo espanhol pediu nesta terça-feira às autoridades cubanas que “respeitem” o direito de manifestação “livre e pacífica” após os protestos históricos na ilha, e defendeu o aumento do ritmo das reformas para lidar com a crise, segundo um comunicado. Ministério das Relações Exteriores.

“A Espanha defende o direito fundamental de todos os cidadãos de se manifestarem de forma livre e pacífica e pede às autoridades cubanas que o respeitem”, diz a nota emitida um dia depois que o novo ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares, tomou posse de seu cargo.

O comunicado das Relações Exteriores também expressa sua “preocupação com a grave escassez” que a população enfrenta e diz que estuda formas de ajuda para atendê-la.

– Estados Unidos –

Da mesma forma, o presidente Joe Biden na segunda-feira instou o governo comunista de Cuba a não recorrer à violência contra os protestos de rua e expressou o apoio dos Estados Unidos aos manifestantes. 

“Pedimos ao governo de Cuba que se abstenha da violência”, disse Biden a repórteres.

Em nota divulgada horas antes, o presidente havia pedido às autoridades cubanas que escutassem seu povo: “Estamos com o povo cubano e seu claro apelo à liberdade e resgate das trágicas garras da pandemia e décadas de repressão e sofrimento econômico para as quais foram submetidas pelo regime autoritário de Cuba ”, declarou Biden.

– Brasil –

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, expressou nesta segunda-feira sua “solidariedade” aos cubanos que exigem “o fim de uma ditadura cruel” e denunciou a repressão aos protestos contra o governo comunista da ilha caribenha.

“Todo o apoio e solidariedade ao povo cubano, que bravamente pede o fim de uma ditadura cruel que há décadas massacrou sua liberdade e vendeu ao mundo a ilusão de um paraíso socialista. Que a democracia floresça em Cuba e melhores dias seu povo!! “, escreveu Bolsonaro em sua conta no Twitter.

Bolsonaro criticou os brasileiros que apóiam Cuba e Nicolás Maduro, um aliado do regime Díaz-Canel.

“Aqui no Brasil tem gente que apóia Cuba, que apóia a Venezuela. Gente que foi várias vezes a Cuba beber champagne com Fidel Castro, à Venezuela para tomar uísque com Maduro. E tem gente aqui que apóia esse tipo de gente, é um sinal de que querem viver como os cubanos, como os venezuelanos ”, acrescentou.

– Venezuela –

Entretanto, Nicolás Maduro, expressou esta segunda-feira “todo o apoio” ao “governo revolucionário de Cuba”, após os massivos protestos antigovernamentais na ilha.

“Daqui vos ratifico como vos disse ontem (domingo) por telefone: todo o apoio ao Presidente Miguel Díaz-Canel, todo o apoio ao povo de Cuba, ao governo revolucionário de Cuba. Daqui, da Venezuela, irmãos de bem fé e nos tempos difíceis, e Cuba vai sair na frente “, disse o presidente em um encontro televisionado com parlamentares.

– Argentina –

Por sua vez, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, exigiu nesta segunda-feira o fim do bloqueio a Cuba, que qualificou de “desumano”, e rejeitou uma possível intervenção estrangeira na resolução dos conflitos políticos na ilha caribenha.

“Não há nada mais desumano em uma pandemia do que bloquear economicamente um país”, declarou o presidente argentino em entrevista à Rádio 10, acrescentando que “mantê-lo bloqueado no meio de uma pandemia é o menos humanitário que existe”.

Fernández afirmou que “quando bloqueiam um país, o que fazem é bloquear uma sociedade e quem sofre não é um governo, é uma sociedade”.

– México –

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, rejeitou nesta segunda-feira a política “intervencionista” sobre a situação em Cuba, onde no domingo ocorreram protestos sem precedentes contra o governo por conta da crise socioeconômica, e se ofereceu para enviar ajuda humanitária à ilha.

O México poderia “ajudar com remédios, vacinas (contra covid-19), com o que for preciso e com alimentação, porque saúde e alimentação são direitos humanos fundamentais”, disse o presidente esquerdista em sua conferência matinal, rejeitando “a gestão política intervencionista”.

“A verdade é que se você quer ajudar Cuba, a primeira coisa que deve fazer é suspender o bloqueio (…) como está sendo solicitado pela maioria dos países do mundo”, acrescentou López Obrador sobre o embargo dos Estados Unidos à a ilha em vigor há seis décadas. *NTN24

Categorias:Américas

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